quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Resenha: Santalum - Phebo/Granado

Imagem e pirâmide olfativa: granado.com.br

Notas de topo: Cardamomo, cenoura, folhas verdes
Notas de corpo: Madeira thanaka, madeira ambarada, musk
Notas de fundo: Vetiver, olíbano, sândalo

Hoje vim falar sobre um dos lançamentos recentes da Phebo, Santalum, uma fragrância amadeirada bem curiosa e facilmente compartilhável. Porém antes de falar sobre ela, quero dividir com vocês um pouquinho a história da Phebo e Granado, esta última uma das empresas do ramo de cosméticos mais antigas do Brasil! Estou usando como fonte o site da marca e o livro Brasilessência: A cultura do perfume (Renata Ashcar, Editora Nova Cultural, 2001 - leitura obrigatória para os apaixonados por esse fascinante universo que são os perfumes). 

A Granado começou através do português José Antônio Coxito Granado em 1870, com uma botica chamada Imperial Drogaria e Pharmacia de Granado & Cia, situada no centro do Rio de Janeiro. A farmácia, além de manipular produtos com extratos de plantas, ervas e flores brasileiras, cultivadas no sítio de Coxito, adaptava fórmulas de produtos importados da Europa para os padrões e as necessidades dos brasileiros. A qualidade dos produtos tornou a Granado uma das fornecedoras oficiais da Família Imperial!

Já a Phebo nasceu durante a década de 20, em Belém do Pará, através dos portugueses Mário e Antônio Santiago e seu desejo de produzir sabonetes de excelente qualidade. O sabonete Odor de Rosas - inspirado no caríssimo e perfumado sabonete inglês Pear's Soap - era feito com mais de 145 ingredientes, incluindo óleo de pau-rosa, cravo, canela e sândalo, e até hoje é carro-chefe da empresa. Outro produto da empresa que tornou-se item obrigatório nos lares dos brasileiros foi a Lavanda Phebo, depois renomeada como Seiva de Alfazema. 

Em 2004 as duas empresas se unificaram formando a rede Granado/Phebo, com mais de 70 lojas espalhadas pelo Brasil, além de outros pontos de venda em países como Portugal, Espanha, França, Reino Unido e Grécia. Ao longo de todos esses anos a qualidade dos produtos e sua eficácia se manteve. Pra vocês terem uma ideia, a fórmula do Polvilho Antisséptico - produto mais antigo e carro-chefe da Granado - que teve registro aprovado por Oswaldo Cruz, permanece inalterada até hoje. Bacana, né?

Bom, vamos lá falar de Santalum. Assim que aplicado na pele foi possível notar o dulçor da cenoura e o cheiro marcante e aromático do cardamomo sobre um fundo amargo de madeira fresca cortada. Porém essa mistura em seguida passou uma impressão do cheiro fresco, cremoso e ligeiramente verde e adocicado de bambu, parecido o que sinto no Balanço de Rio (L'Occitane au Brésil), mas com um plus do cheiro vívido da madeira cortada. Com o passar do tempo, apesar do suavizar da fragrância, o aspecto cremoso e adocicado prevaleceu sobre as outras notas. O interessante é que não imaginava que todo aquele cheiro de madeira dominante desapareceria e tomaria o rumo que acabou tomando, cada vez mais gourmand. Sim, gourmand! E ele ficou com um cheiro muito parecido, senão idêntico, ao que sinto no Prelude Blanché (Eudora), de chocolate branco e côco almiscarado com um toque de caramelo. A projeção foi suave desde o início, mas a fixação foi excelente. Depois de mais de 10 horas ainda era possível senti-lo no local onde havia aplicado. Por ser uma fragrância com nuances cremosas, com um leve teor adocicado e fresco sobre a base amarga e bem amadeirada, e desenvolvendo esse final de chocolate branco e caramelo - até agora estou tentando entender, coisa de pele talvez - este é um perfume que cai melhor se usado em dias de temperaturas amenas.

Preço: R$ 180,00 (frasco spray 100 ml)

Um abraço perfumado!

Trilha sonora:  Admiração - Paulinho Moska

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